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Identificação precoce de fêmeas ovinas.
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31/08/2017

Identificação precoce de fêmeas ovinas.

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Em fêmeas ovinas, as biotecnologias voltadas à reprodução estão em constante avanço para a determinação dos fatores ligados a precocidade sexual, através do uso de parâmetros morfológicos ovarianos e endócrinos que facilitem aidentificação de características reprodutivas que sejam facilmente medidas. 

A identificação precoce de um animal tem papel crucial na determinação e aptidão de indivíduos a produzir altos ou baixos números de embriões após superovulação, trazendo como vantagens a redução à idade de entrada dos animais em reprodução, capacidade de programação dos partos para épocas mais favoráveis a sobrevivência das crias, melhorar o desempenho reprodutivo no início da primeira estação de monta e seleção dos animais com maior capacidade reprodutiva (NUNES et aI., 2014).

A prática tradicional da ovinocultura de corte, onde a cordeira é selecionada para a reprodução de acordo com o ganho de peso adquirido no pré/pós desmame ou a idade adquirida, tem sido apontada como ultrapassada, pois, não há garantia da eficiência e potencial reprodutivo, controle da secreção hormonal, prolificidade e longevidade reprodutiva. Portanto, métodos não invasivos que quantifiquem o número de folículos morfologicamente saudáveis nos ovários de fêmeas jovens podem ter relevância diagnóstica significativa, auxiliando no planejamento reprodutivo do rebanho e desenvolvendo novos esquemas de seleção de animais em idade precoce, para fazendas que buscam alta fertilidade.

Sabe-se que, por muito tempo, as características reprodutivas de fêmeas foram pouco enfatizadas nos programas de melhoramento genético, visto que a seleção direta de fatores ligados à fertilidade pode ser uma técnica difícil de ser aplicada, devido à baixa herdabilidade e a falta de registros confiáveis. Porém, mudanças vêm sendo relatadas considerando a condição fisiológica do animal, incluindo o mérito genético individual, características ovarianas ainda na idade pré-puberdade e analisando a eficiência do rebanho em promover o menor tempo de retorno do investimento, aumento da vida reprodutiva e consequentemente, aumento do número de produtos.

contagem de folículos antrais (CFA) pode ser um parâmetro que sinaliza a taxa de concepção a primeira monta e o ciclo reprodutivo, pois, está positivamente relacionada ao número e a qualidade dos folículos presentes nos ovários. A população folicular apresenta grande variabilidade entre as fêmeas, mas com alta repetibilidade no mesmo indivíduo; isso permite a classificação dos animais de acordo com as diferenças individuais, em três grupos distintos: baixa, média e alta CFA. Animais classificados com baixa CFA apresentam sinais de infertilidade e/ou desordens reprodutivas, enquanto os de alta CFA demonstram maior probabilidade de se tornarem gestantes, melhor resposta a protocolos de superestimulação hormonal, peso ovariano, maiores concentrações de progesterona e concentração do hormônio anti-mulleriano (MONNIAUX et al.,2013). 

Embora a CFA tenha sido associado à reserva ovariana e qualidade do oócito na idade adulta, pouco se sabe sobre essas diferenças durante o período pré-puberdade e o futuro o potencial reprodutivo individual para fêmeas ovinas, devido a importantes limitações da técnica de ultrassonografia transretal quando se trata de pequenos ruminantes. Além do alto custo e mão de obra capacitada, a identificação das estruturas reprodutivas é complicada, em consequência da pequena anatomia dos órgãos, dificuldades na dinâmica e na determinação das estruturas, o que desencadeia a erros de contagem folicular (GONZALEZ-BULNES et al., 2010). 

Recentemente, o hormônio anti-mulleriano (AMH) vem sendo reconhecido como um importante marcador endócrino da reserva ovariana, fornecendo novas informações sobre o ovário, capacidade intrínseca individual e resposta ovariana a ação de gonadotrofinas. As concentrações de AMH podem ser detectáveis após 36ª semana de gestação em humanos (ROMÃO et al., 2012), e conforme mencionado acima, os níveis endócrinos de AMH estão intimamente relacionados ao número de pequenos folículos antrais e folículos crescentes presentes no ovário. Resultados recentes demonstram que a expressão de AMH é alta em pequenos folículos antrais, e que sua função está relacionada em regular ou limitar o recrutamento de folículos primordiais na foliculogênese, reduzindo a capacidade de resposta ao hormônio folículo estimulante (FSH) e dessa forma, desempenhando um papel importante no processo de seleção folicular do crescimento até o estágio pré-ovulatório (VISSER et al., 2006). 

No caso de ruminantes, foi proposto que a determinação da concentração de AMH no sangue, pode ajudar a determinar a capacidade de uma doadora para produzir um número esperado de embriões quando submetidos à ovulação múltipla, transferência de embriões ou fertilização in vitro. Um estudo recente mostrou que as cordeiras com maiores níveis de AMH no sangue com 110 dias de idade aproximadamente, foram as que alcançaram a puberdade precocemente, resultando na antecipação do primeiro parto e fertilidade melhorada quando comparado a animais da mesma idade e com baixas concentrações de AMH (LAHOZ et al., 2012).

Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vem desenvolvendo estudos com o objetivo de determinar a concentração do AMH no sangue de cordeiras pré-púberes da raça White Dorper e avaliar a sua relação com a taxa de prenhez à primeira monta (180 dias de idade). Podemos afirmar que as concentrações plasmáticas de AMH foram positivamente correlacionadas com a taxa de prenhez das cordeiras, ou seja, o grupo de fêmeas que demonstrou alta concentração de AMH foi o que obteve maior taxa de prenhez na primeira monta, enquanto que os animais que necessitaram de uma segunda monta, apresentaram concentrações de AMH consideravelmente reduzidas (NEVES et al., 2017 dados não publicados). Dessa forma, o AMH se tornou um marcador endócrino confiável para as fêmeas ovinas, com consequências práticas interessantes para a clínica veterinária e para as biotecnologias da reprodução. 

Infelizmente, ainda não há valores referência e padronização das concentrações do AMH para os critérios de seleção para fêmeas ovinas, mas, essa ferramenta vem sendo utilizada para prever o potencial reprodutivo de rebanhos, permitindo com que os criadores possam selecionar as fêmeas com maior reserva folicular, reduzindo assim o tempo e as despesas com animais improdutivos ou que apresentem algum distúrbio reprodutivo. 

Autores do artigo:

Ana Carolina Carvalho Neves - Aluna de Pós-Graduação do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos - LAPOC da Universidade Federal do Paraná - UFPR.

Alda Lúcia Gomes Monteiro - Professora da Universidade Federal do Paraná - UFPR e Coordenadora do LAPOC - UFPR.

Mylena Taborda Piquera Peres - Aluna de Pós-Graduação do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos - LAPOC da Universidade Federal do Paraná - UFPR.

Odilei Rogério Prado - Professor da Universidade Tuiuti do Paraná – UTP e colaborador no Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos - LAPOC da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

Wanessa Blaschi – Professora da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP e colaborador no Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos - LAPOC da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

Elísio de Camargo Debortoli - Aluno de Pós-Graduação do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos - LAPOC da Universidade Federal do Paraná - UFPR.




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